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Vai ficar no papel
(29/3/2009)

O Brasil é uma nação que acumulou um altíssimo passivo social durante décadas de crises, desgovernos, políticas equivocadas, economia desestruturada, deixando a sociedade à míngua em setores essenciais e primários, com uma fatura a ser resgatada à custa de muito investimento, vontade política e com os frutos de um longo período de estabilidade. Cada governo que se sucedeu nos últimos cinquenta anos deu ênfase ao atendimento amplo à população mais carente através de programas que variaram dos financiamentos subsidiados ao mais puro assistencialismo do Bolsa Família.

Dentre tantas carências, o setor habitacional vem acumulando um déficit extraordinário desde o fim dos programas de financiamento que permitiam o acesso à casa própria em condições facilitadas e o Sistema Financeiro da Habitação assumiu o seu lado estritamente financeiro.

Aproveitando-se do momento propício para medidas de impacto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o Plano Nacional da Habitação, ambicioso projeto que prevê recursos de R$ 34 bilhões para financiamento e construção de 1 milhão de casas para famílias com renda de até 10 salários mínimos. A União investirá R$ 16 bilhões e R$ 10 bilhões serão subsidiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Apresentado como um programa habitacional como nunca antes se viu, bem ao estilo populista do governo, visa atender o déficit estimado de 7,2 milhões de moradias, mais de 90% de famílias com renda até três salários mínimos.

O anúncio foi bem recebido por empresários e entidades ligados à construção civil, calculando de forma otimista os investimentos e os empregos gerados, uma vez que o setor é apontado como um linimento em momentos de crise pela capacidade de giro financeiro em curto espaço de tempo e abertura de vagas de trabalho em larga escala.

O caminho apontado pelo governo federal parece adequado e oportuno, agindo de forma rápida e incisiva na economia de produção. Surpreende que o presidente Lula tenha formatado a proposta de forma leviana, sem explicitar a origem dos recursos, a forma de repasse e, fundamental, os prazos de execução. Quanto a isto, Lula foi claro ao refutar qualquer cobrança sobre quando o programa terá seus efeitos, deixando clara a vocação político-eleitoral do anúncio, até porque um projeto sem prazo não passa de intenção. O que se espera é que, mesmo que o impacto não seja o desenhado, pelo menos tenha o efeito de movimentar a economia além dos discursos de palanque.

Editorial - Jornal Gazeta de Ribeirão Preto

Fonte: www.gazetaderibeirao.com.br


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